• Cássio Mori

Como a escola deve se relacionar com a geração Z?

A geração Z, nascida entre os anos de 1998 e 2010, trouxe imensos desafios para os educadores. Conhecidos como “nativos digitais”, esses alunos obrigaram os professores a realizarem uma profunda adaptação do ensino em sala de aula.


As aulas, que até então eram ministradas por um professor que se colocava como o detentor do conhecimento, precisaram ser repensadas, em virtude de esses alunos terem uma característica bastante característica: eles vivem conectados.


São pessoas que têm muita habilidade para fazer mais de uma atividade ao mesmo tempo. Conseguem conversar em grupos, visualizar redes sociais, ouvir músicas e estudar - tudo ao mesmo tempo, no mesmo local e em qualquer horário.


Qualquer tema proposto é facilmente desvendado por eles. O mistério parece que, simplesmente, desapareceu... Desafios são facilmente encontrados nos inúmeros blogs que lutam por ranqueamento no google.


Diante desse comportamento novo para os professores, até então desacostumados com tamanho dinamismo, a adaptação da educação para essa nova geração é prioritária nas pautas das instituições de ensino.


Buscando entender o estilo de vida da geração Z

Para a escola aprender a se relacionar com a geração Z, é fundamental entender o estilo de vida que essa geração carrega. Não é mais uma geração que, no tempo livre, vai até a praça da cidade tomar sorvete e, no começo da noite, se reúne em frente ao cinema para conversar com os amigos e trocar experiências.


Essa geração passa a maioria do seu tempo livre atrás de uma telinha de smartphone, computador ou tablet. Sabe as novidades da moda, da literatura, da culinária, dos esportes, da cultura, antes mesmo de elas chegarem ao Brasil.


São alunos que conhecem o mundo todo, sem ao menos terem saído da cidade onde moram. Conseguem buscar respostas rapidamente para qualquer assunto que venha a intrigar a sua curiosidade. É uma geração ao mesmo tempo diferente e fascinante.


Um dos comportamentos mais comuns dessa geração é a rapidez com que espera a resposta para um determinado problema. Por ter crescido em um mundo onde a internet discada já era peça de museu, são pessoas naturalmente impacientes e, por essa razão, não esperam muito tempo pela resolução de um problema.


Vivem pela tecnologia. Desenvolvem todas as suas atividades cotidianas conectados. Fazem trabalhos em grupo pelo Skype, tiram dúvidas pelo aplicativo da escola. Se o livro ou apostila está longe de suas mãos, acessam o material digital instantaneamente pelo smartphone. Passar um dia fora da internet, em uma casa de campo, pode ser um dos programas mais entediantes para eles.


Em virtude desse comportamento que carregam, os professores precisam mudar sua postura em sala de aula. Devem deixar de ser aquela figura detentora de todo o conhecimento, para se tornar um mediador entre o aluno e a imensidade de informações que ele busca e encontra no seu dia a dia. Um mediador claro, muito especial, porque é preparado para isso e é, ele próprio, detentor de uma série de conhecimentos.


Aulas exclusivamente expositivas estão, portanto, com seus dias contados. Elas deverão ser substituídas por aulas mais dinâmicas, em que o aluno se torna um verdadeiro protagonista do seu aprendizado.


Como engajar a geração Z no ensino?

Conforme já falamos, essa geração tem uma maneira própria de aprender. A metodologia tradicional do ensino não faz muito sentido para eles. A autoridade do professor, no sentido de ser uma fonte única de conhecimento, não é mais a mesma que foi há 20 anos.


Dessa maneira, criatividade e adaptabilidade ao novo contexto são fundamentais para que o professor consiga um maior engajamento dos alunos, prendendo a sua atenção e aumentando a participação deles em sala de aula.


Vamos a um exemplo: peça para os alunos usarem seus smartphones para desenvolverem pesquisas em sala de aula a respeito de um determinado tema. Aproveite a diversidade de informações para abrir uma discussão sobre o tema pesquisado, analisando, em conjunto com os alunos, os conteúdos obtidos. Essa dinâmica é bastante interessante para engajar os alunos, fazendo-os participar de forma mais ativa da aula.


Após a discussão, vá perguntando para cada um sobre o local onde encontraram determinada informação. E, com isso, ensine os alunos a filtrarem informações seguras e sérias e evitarem conteúdos duvidosos. Essa dinâmica ajuda a desenvolver o pensamento crítico, para que ele não acreditem em tudo o que encontram na internet.


Outras dicas de aulas para a geração Z


Trabalhar com recursos áudio visuais é uma excelente maneira de atrair a atenção dos alunos. Vídeos, músicas, reportagens e documentários podem ser o pano de fundo para um conteúdo aparentemente desmotivador.


Uma outra alternativa é desenvolver jogos eletrônicos educativos. A gamificação dos conteúdos tem mostrado bons resultados em diversas escolas que já a adotam. É claro que isso vai além da possibilidade de muitos profissionais, sendo necessário que a escola contrate um programador para desenvolver o aplicativo ou que a escola adquira aplicativos específicos para esse fim.



Outra possibilidade é a criação de um blog para cada sala de aula. Com isso, as melhores redações ou os melhores trabalhos poderão ser publicados, o que faz com que o aluno se sinta mais motivado.


Há, ainda, o Google For Education, uma plataforma totalmente gratuita para escolas de educação básica, que possui diversos recursos pedagógicos os quais conversam, diretamente, com os anseios dessa geração.


Usando a criatividade no ensino

Como você pode notar, são inúmeras as possibilidades de engajar essa geração de nativos digitais. A criatividade pode ser usada e abusada, conforme mostramos um pouco acima.


O que a escola não pode e nem deve é querer manter um estilo de ensino pouco dinâmico e interativo, com o professor passando o conhecimento para o aluno de forma autoritária e pouco participativa. Certamente, a geração Z não conseguirá permanecer atenta por muito tempo em uma aula dessas.


Se a sua escola quer cativar a geração Z, aumentando a quantidade de alunos matriculados, é fundamental falar a língua deles. Entender o hábito de consumo deles, a necessidade que trazem, o estilo de vida que carregam e a maneira como enxergam a sociedade.


O mundo está se transformando. E a geração Z será responsável por mudar profundamente os pilares da educação vigentes até o momento: quebrando paradigmas e reformulando conceitos enraizados por séculos a fio.



Cássio Mori é palestrante, especialista em gestão e marketing educacional, com 26 anos de experiência como professor do Ensino Médio e Cursos Pré-Vestibulares. Mantenedor de escolas e diretor da agência EMME. Formado em Engenharia Mecânica pela USP. Apaixonado por educação, gestão e marketing.

www.cassiomori.com.br

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