• Cássio Mori

Como definir o propósito de minha escola e quais as vantagens disso?

Vamos começar esta discussão, definindo o termo “propósito” de maneira bem simples: “propósito” é saber onde se quer chegar e, sobretudo, dispor da energia necessária para enfrentar a trajetória.


O filósofo romano Lúcio Aneu Sênega disse: “Se um homem não sabe a que porto se dirige, nenhum vento lhe será favorável.”


Criando o propósito da escola

Você pode estar se perguntando: mas a minha escola já definiu a missão, a visão e os valores. Isso não é nosso propósito?


A resposta é: “não!” A missão descreve o negócio, a visão indica onde a escola estará em alguns anos, e os valores descrevem a cultura empresarial. O propósito é inspirador, motivador e dá uma orientação de como se pretende conquistar o que se deseja. É um motivo tangível, claro e facilmente assimilado por todos, que embasa as decisões e a execução das tarefas.


Por exemplo, um propósito de uma escola poderia ser: “Educar jovens com as mais modernas técnicas e dinâmicas pedagógicas, de forma que eles estejam preparados e tenham as habilidades necessárias para se destacarem no mercado de trabalho, interfiram no mundo para o bem de todos e atuem sempre com ética e responsabilidade.”


O propósito da escola deve ser um motivo para que os professores e funcionários se orgulhem. Ele precisa indicar uma direção - um “por que estou trabalhando?” -, que seja inspiradora.


Dicas para ter sucesso na criação do propósito de sua escola

O propósito está longe de ser o projeto pedagógico da escola. Não tem o mesmo objetivo e nem deve ser descrito com páginas e mais páginas de textos. Aqui, vão algumas dicas. São apenas dicas, pois não queremos passar um guia ou uma fórmula pronta, mas apenas alguns caminhos para que você tenha sucesso na criação do propósito de sua escola.


· Seja autêntico e verdadeiro: se o propósito for copiado de algum lugar ou se não representar realmente o que os gestores pensam, ou seja, se não representar a verdade no dia a dia escolar, não passará de palavras escritas em um papel.


· Escreva de forma simples e direta, sem palavras complicadas ou textos complexos. O ideal é que qualquer colaborador entenda o propósito e consiga explicá-lo para outras pessoas.


· Pense em qual problema sua escola pode solucionar. Para ser relevante, o propósito precisa fazer diferença na vida das pessoas.


· Não tenha medo de vislumbrar um propósito grandioso. Mas garanta que é possível alcançá-lo, mesmo tendo que percorrer um longo caminho!


· Foque nas pessoas e não nos lucros. Uma escola é feita por pessoas; por isso, foque no melhor que elas podem oferecer. David Packard, um dos fundadores da HP, diz: “Propósito é a razão profunda de a empresa existir e está além de apenas fazer dinheiro.”


· Seja inspirador, de forma que motive professores e funcionários.


· Contrate professores e funcionários que estejam alinhados com o propósito de sua escola. Fazendo isso, o caminho para sua sedimentação vai ficando mais fácil.




Um exemplo prático, para tudo ficar mais claro

Imagine que Walt Disney tivesse criado o propósito da sua empresa da seguinte forma: “Queremos fazer desenhos que coloquem as crianças em um mundo imaginativo e divertido.“



Com esse propósito, as pessoas que trabalhavam com ele focariam suas habilidades, criatividade e experiências apenas em desenhar personagens e ambientes cada vez mais impactantes e em produzir conteúdos divertidos para prender a atenção das pessoas.


Provavelmente, se assim tivesse sido, não teríamos hoje os parques da Disney, os resorts, os espetáculos teatrais, os cruzeiros, a tecnologia, os shows de luzes e tudo o que acompanha a magia da Disney.


Agora, compare com o real propósito da Disney: “Fazer pessoas felizes. Todas as pessoas devem ter a oportunidade de ver o mundo com os olhos de uma criança, com muita magia e imaginação.”


Percebeu a diferença? A motivação das pessoas que trabalham na empresa muda completamente com esse propósito. Elas vão procurar criar soluções, mecanismos e procedimentos que façam com que todas as pessoas possam vivenciar seus sonhos de criança na vida real, mesmo que seja por alguns instantes. Veja que apenas os desenhos nunca seriam suficientes para se caminhar rumo a esse objetivo.


O propósito da empresa define, assim, como as pessoas vão utilizar suas energias e em quais projetos vão gastar o seu tempo.


Como fazer para que o colaborador fique alinhado ao propósito da escola?

O primeiro passo é a escola ter um propósito bem definido e bem refinado, deixá-lo claro e divulgá-lo amplamente para seus colaboradores. Os gestores precisam acreditar nele e repeti-lo insistentemente, em todas as oportunidades. Deve estar escrito na sala do café e na sala de atendimento.


Para ter sentido bastante claro, o propósito precisa dizer AONDE se quer chegar e também COMO se pretende chegar. Assim, será motivador e energizante.

Luciano Pires, em dos episódios de seus podcasts no “Café Brasil”, exemplificou essa questão da seguinte forma:


“Em uma de minhas palestras, mostro como era a visão de Henry Ford em 1907, ao fundar uma das maiores empresas do mundo (a Ford) e definir como seria a fabricação de automóveis dali em diante. Ford escreveu assim:


“Vou construir um carro a motor para as multidões (…) Será tão barato que qualquer homem que tiver um bom salário será capaz de ter um deles e aproveitar com sua família a dádiva das horas de lazer nos grandes espaços criados por Deus (…) Daremos a um grande número de pessoas empregos bem remunerados.”


E agora ouça, 100 anos depois, como os marqueteiros da Ford reescreveram a visão da empresa:


“Uma só equipe, um só plano, um só objetivo – um carro Ford – crescimento lucrativo para todos.”


Tanto a visão de Henry Ford como a de seus marqueteiros 100 anos depois englobam as bases do sucesso de qualquer empreendimento: equipe, plano, lucros… Mas… por qual das duas você acha que valeria a pena lutar, hein?


Se o propósito dos marqueteiros de 2010 deixava claro AONDE eles queriam chegar, o de Henry Ford deixava claro AONDE e COMO ele queria chegar.”


No caso das nossas escolas, os colaboradores que, por alguma razão, não lutam pelo propósito da instituição não colocarão o coração naquilo que estão fazendo. Exercerão suas funções de maneira mecânica. As palavras sairão de suas bocas sem paixão e suas atitudes serão tomadas sem reflexão.


Por fim, uma escola sem propósito gerencia conteúdos e aprendizados. Uma escola com propósito mobiliza pessoas a oferecerem o que têm de melhor para o sucesso dos alunos. Qual das duas chegará mais longe?



Cássio Mori é palestrante, especialista em gestão e marketing educacional, com 26 anos de experiência como professor do Ensino Médio e Cursos Pré-Vestibulares. Mantenedor de escolas e diretor da agência EMME. Formado em Engenharia Mecânica pela USP. Apaixonado por educação, gestão e marketing.

www.cassiomori.com.br

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