• Cássio Mori

Metodologia ativa: uma boa opção?

Hoje em dia, os alunos não querem mais ser apenas ouvintes. Eles são de uma geração mais dinâmica, inquieta e com amplo acesso à informação por meio da internet.


Chegou a hora de pensar em uma aula com mais participação dos alunos, com uma atitude mais ativa e menos passiva. Novas metodologias de ensino estão sendo implantadas nas escolas e, entre elas, a Metodologia Ativa.


Para você entender um pouquinho do que se trata, vamos comparar o modelo tradicional com modelo ativo.

Modelo tradicional

No modelo do ensino tradicional, o aluno permanece em condição passiva, ouvindo o professor e fazendo anotações. O professor faz a explanação do conteúdo, tira algumas dúvidas e faz os exercícios propostos naquela aula.


As atividades se baseiam exatamente no que foi ministrado pelo professor durante a aula. Ele é a única fonte de conhecimento, o aluno permanece apenas como ouvinte e, algumas vezes, faz perguntas.


É um modelo bem próximo de uma palestra: todos recebem a informação em silêncio e questionam nos momentos adequados (pelo menos é o que a gente espera, não é?).

Modelo ativo


No modelo ativo, o professor, utilizando diversas dinâmicas, motiva o aluno a construir o conhecimento e a ser responsável pelo próprio sucesso do seu aprendizado. Essa metodologia leva o aluno a “fazer” e a “pensar no que faz”. É uma forma de aprender de forma mais autônoma, com o auxilio do meio digital e da tecnologia para fazer pesquisas, para assistir a documentários, para discutir com os colegas. Já foi implantada em muitas escolas, universidades e, até mesmo, no ambiente corporativo.


Vamos falar um pouco mais, com exemplos, dessa metodologia.


4 exemplos de aplicação da Metodologia Ativa

Método de resolução de problemas (PBL)

Esse método é focado na parte teórica, para que seja feita a resolução de casos, sendo mais eficiente se for trabalhada em grupos de alunos. O método passa pelas seguintes fases: situação, problema, investigação e projeto.


Inicialmente, o professor apresenta a situação e discute com os alunos os problemas que envolvem aquela situação. Com os problemas bem definidos, vem a parte mais bacana: a investigação!


A investigação começa com os grupos de alunos pesquisando soluções já encontradas por outras pessoas para aquele problema. Depois, vem a parte dos questionamentos: dá para resolver de outra forma? É possível melhorar uma solução já encontrada? A criatividade rola solta nessa etapa e promove a reflexão e o debate entre os integrantes do grupo, até que as melhores soluções sejam encontradas.


Finalmente, os grupos apresentam as soluções encontradas, bem como a forma de aplicá-las na resolução do problema! Fascinante, não acha?


Método sala invertida

O método tradicional funciona assim: o professor explica os conteúdos em sala de aula, e o aluno entende. Em casa, o aluno faz a tarefa (nem todos, né?) e aprende. O que não conseguiu aprender pergunta para o professor na próxima aula ou no plantão de dúvidas.

Já imaginou se o processo acima fosse invertido? Sim! A aula seria dada em casa, e a tarefa feita em aula! Vou explicar.

O professor indica os novos conteúdos que serão trabalhados. O aluno vai para casa, pesquisa os novos conteúdos, vê vídeos, conversa com pais, parentes e amigos e, chegando na escola, durante a aula, tira suas dúvidas e faz as tarefas acompanhado pelo professor.

Os professores de Matemática, na universidade de Harvard, testaram o método, e os alunos participantes obtiveram ganhos de 49 a 74% na aprendizagem em relação aos alunos não participantes do método.


Método de gamificação

Diversão, narrativa, competição, conflito, cooperação, voluntariedade, prêmios, aplicação em fases e erros são alguns elementos envolvidos nos games. Olha que ferramenta! Não seria bacana incluir o aprendizado nesse balaio?


A gamificação não é propriamente uma metodologia ativa de ensino, mas que pode ser utilizada como ferramenta de aprendizagem ativa, isso pode! Já existem diversos aplicativos próprios para isso, mas o próprio professor pode criar games, seja utilizando recursos simples como o PowerPoint ou, até mesmo, sem usar a tecnologia.


Além disso, os games desenvolvem competências socioemocionais: interatividade, pensamento próprio, persistência, senso de urgência, disciplina, criatividade, competição saudável, proatividade, aprendizado com os erros, entre outras.


Método estudo de casos

Esse método explora desafios que abordam situações reais, ou seja, fatos, acontecimentos, eventos que ocorrem ou ocorreram de fato. Normalmente, é realizado em grupos, mas cada grupo com uma tarefa diferente.


O professor apresenta o caso, os objetivos do estudo e entrega uma tarefa para cada grupo. Não é interessante que todos os grupos tenham a mesma tarefa. O ideal é que, em um mesmo caso, cada grupo estude um aspecto diferente. Assim, na conclusão da dinâmica, cada grupo pode apresentar para os outros alunos suas conclusões, e o professor pode mediar um debate entre eles.


Existem diversas práticas que permitem o uso de metodologias ativas em sala de aula, e muitas outras podem ser criadas por cada professor. Não precisa ser uma receita pronta! Solte a sua criatividade!


Cuidados que devem ser tomados ao trabalhar com metodologias ativas na sua escola

Quando a gente encontra algo novo, disruptivo, dá vontade de entrar de cabeça, colocar a mão na massa e aplicar, aplicar e aplicar. Mas alguns cuidados devem ser tomados para que o tiro não saia pela culatra. Vou listar alguns.



  • Antes de instituir novos métodos de ensino em sua escola, faça testes! Inicie com uma versão “beta” do método, aplicando-o em poucas turmas.

  • Defina métricas para conseguir avaliar quais métodos estão realmente funcionando. Descarte os que não apresentarem resultados satisfatórios. Nem tudo funciona da mesma forma em todas as escolas.

  • Não deixe as aulas expositivas serem extintas! Não! A ideia é mesclar as aulas expositivas com metodologias ativas. A conquista do equilíbrio é que fará o sucesso do aprendizado.

  • Não deixe virar bagunça! Tudo tem que tem um objetivo, um desenvolvimento e resultar em algo positivo. Se a forma de aplicação do método está fazendo com que a diversão e o bate papo sejam mais importantes que o aprendizado, tem algo errado! E a correção tem que ser instantânea.

  • Aplicar a metodologia ativa em uma escola não pode ser feita com uma canetada! A equipe pedagógica, os professores e auxiliares devem ser capacitados e treinados antes de as técnicas serem aplicadas em sala de aula.

Por que aplicar a metodologia ativa na sua escola?

Com a finalidade de melhorar o aprendizado, a escola que implementa esse método auxilia seus alunos a desenvolverem, desde a infância, habilidades que são muito valorizadas pelo mercado de trabalho: autonomia, responsabilidade, trabalho em grupo, empatia, entre outras. Mas o que mais me empolga é o desenvolvimento da liderança! Um baita diferencial para a escola, concorda?


Liderança, uau!

Como vimos anteriormente, diversas atividades adotadas na Metodologia Ativa são feitas de forma colaborativa. Trabalhando em grupos, o aluno aprende a questionar e, ao mesmo tempo, a respeitar a opinião dos outros. Aprende que o sucesso do grupo é a soma dos esforços de cada integrante, desde que estejam sincronizados e buscando o mesmo objetivo. Começa a perceber os pontos fortes e fracos de cada um e a dividir as tarefas com o intuito de explorar as melhores habilidades individuais.


Enfim, aprendem a “fazer acontecer”, percebem que, se um ajudar o outro a desenvolver-se e a motivar-se com o trabalho, o resultado será melhor para todos. O nome disso é... liderança!


Todo esse processo só funciona se for mediado pelo professor, e nem tudo acontece certinho nas primeiras atividades. É a constância, a experiência e a repetição que fazem com que os alunos internalizem essas atitudes e desenvolvam o espirito da liderança.


No entanto, para funcionar, requer planejamento e treinamento do corpo docente.


E aí? Deu para tirar alguma inspiração desse texto? Gostou? Continue nos acompanhando, sempre estamos apresentando novidades.



Cássio Mori é palestrante, especialista em gestão e marketing educacional, com 26 anos de experiência como professor do Ensino Médio e Cursos Pré-Vestibulares. Mantenedor de escolas e diretor da agência EMME. Formado em Engenharia Mecânica pela USP. Apaixonado por educação, gestão e marketing.

www.cassiomori.com.br

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