• Cássio Mori

Uso do celular em sala de aula: sim, não ou como?

O uso do celular em sala de aula ainda pode gerar polêmica, mesmo que a cultura digital tenha sido bem recebida no ambiente escolar.


A França proibiu, em 2017, o uso qualquer aparelho conectável à internet nas salas de aula para turmas da Educação Infantil e do Ensino Fundamental e, no Ensino Médio, essa medida pode ser adotada total ou parcialmente.


Os argumentos a favor da medida são devido ao fato de que esses aparelhos distraem as crianças durante as aulas, prejudicando a sua capacidade de atenção; além disso, reduzem a atividade física das crianças. Os argumentos contrários à medida afirmam que os aparelhos são excelentes ferramentas para a aprendizagem.


Eu, particularmente, pertenço ao grupo que apoia o uso de smartphones na escola. Antes de entrar nos benefícios, quero contar uma história, que aconteceu 20 anos atrás, para refletirmos juntos.


Estava em uma reunião com a arquiteta que tinha desenvolvido o projeto de construção de uma escola de Educação Básica da qual eu fazia parte. Ao olhar a planta, percebi que havia uma grande área livre ao lado da quadra de esportes com um desenho estranho. Perguntei para a arquiteta que tipo de piso haveria naquele local. Ela respondeu: “será cheio de pedregulho!”. Imediatamente, surgiu em minha boca um sorriso de deboche, de autoridade. Disse meio sorrindo: “Nem pensar! Vai dar maior problema. Os alunos vão fazer guerra de pedra, vão atirar nas janelas, vai ser a maior confusão.” A resposta da arquiteta me marcou profundamente e serviu como uma lição que carrego até hoje em minha vida de educador: “Filho (sim, a arquiteta era minha mãe), se você não consegue educar as crianças, ensinando que os pedregulhos não são para serem jogados, acho melhor você escolher outra profissão!”


Fazendo o paralelo, se não conseguirmos usar a favor do aprendizado as milhões de possibilidades que um aparelho conectado à internet tem, se não conseguirmos educar as crianças para o uso consciente da tecnologia, se não conseguimos ensinar que o equilíbrio entre tecnologia e relações humanas é importante, acho melhor fecharmos a escola!


Se você concorda comigo, continue lendo o texto, se não concorda, mas está refletindo, continue também, mas se não concorda e não vai mudar de opinião, não vale a pena continuar...


Uso do celular em sala de aula: a polêmica entre professores

Como disse, o uso do celular em sala de aula é um tema que gera divergência de opiniões, principalmente entre os professores. Muitos deles associam à ideia do uso do aparelho à sensação de não ter controle sobre os alunos durante a aula. Afinal, pensam eles, quando o aluno está no celular, quem garante que está pesquisando alguma coisa relativa à aula? Ou será que ele está no whatsapp ou no Youtube?


]Respondo com outras perguntas: quem garante que o aluno que está quieto está realmente prestando atenção naquilo que você está falando? Será que ele está interessado no conteúdo e atento ou está pensando na crush que encontrará no intervalo?


A verdade é que nós, professores, por mais que queiramos, não conseguimos controlar os alunos. Precisamos investir em alternativas e dinâmicas para que a motivação deles pela aula seja maior do que a motivação pelo whatsapp ou pelos crushs.


O uso do celular em sala de aula associado à Metodologia Ativa

Por meio de pesquisas, imagens, sons, jogos interativos, o aprendizado torna-se mais dinâmico. Em outras palavras, o uso do celular em sala de aula torna as aulas mais atraentes e enriquecedoras.


A metodologia ativa é um processo que coloca o aluno como responsável pelo próprio aprendizado e faz com que ele esteja comprometido com isso. Por exemplo: os alunos recebem uma tarefa para fazer em casa, relacionada a um conteúdo que ainda não foi ministrado. Ele pesquisa, reflete e resume, voltando para escola com as dúvidas e suas conclusões. Por fim, o professor faz a mediação de uma discussão em grupo. No decorrer da discussão os alunos pesquisam novas informações em seus smartphones para incrementar seus argumentos e defender suas ideias. Uau!! Que show foi essa aula!



Assim, o aluno passa a ser autor do próprio aprendizado, a discussão em grupo com a presença marcante e inspiradora do professor refina esse aprendizado, e o celular passa a ser um instrumento, uma ferramenta, que facilita todo processo.


Quais outras dinâmicas podem ser criadas? Tem alguma ideia? Mande pra gente!


Um caminho sem volta

Muitos adultos nasceram em uma época em que o clássico quadro negro era o referencial de ensino, mas as crianças de hoje já nasceram em berço digital! A metodologia de ensino tradicional lentamente está sendo transformada e a adaptação a essa nova realidade, ao universo em que os jovens estão inseridos, é um caminho sem volta. Se não conseguimos vencer o oponente, é melhor nos juntarmos a ele e conduzir o processo da nossa forma.


Isso não significa, de forma alguma, que o professor está sendo substituído. Quando o gramofone foi inventado, em 1888, pelo alemão Emil Berliner, tanto a imprensa quanto a sociedade em geral comentavam que era a invenção que revolucionaria a educação.


Argumentavam que o professor seria substituídos e que as salas de aula deixariam de existir, uma vez que, num futuro próximo, todos alunos poderiam aprender os conteúdos por meio de seus gramofones particulares. Nem preciso contar o resto da história...


O professor vai continuar sendo a figura de sabedoria, de exemplo, de condutor dentro da sala de aula. Estou certo de que isso não mudará no futuro próximo! O fato é que os alunos mudaram, a informação foi popularizada e receberam a liberdade de construir seu aprendizado. Eles não aceitam mais ser apenas ouvintes passivos.


Mas como usar o celular em sala de aula, sem desviar a atenção do aluno, no aprendizado?


A seguir, vamos mostrar como é possível aplicar o uso dessa ferramenta, a favor do aluno.


Algumas dicas para uso dos smartphones em salas de aula

Para que o uso do celular em sala de aula não saia do propósito do aprendizado, é importante saber como utilizar essa ferramenta.



Vídeos e imagens

O Google e o YouTube possuem uma vasta quantidade de materiais que podem ser explorados facilmente. O professor pode solicitar uma pesquisa de imagens para ilustrar uma aula de biologia ou pesquisar vídeos sobre determinada notícia relacionada ao conteúdo da aula. Em seguida, o professor pode iniciar a aula, associando conceitos com aquilo que foi pesquisado pelos alunos. A absorção do conteúdo e o interesse pela aula aumentam rapidamente.


Aplicativos

Existem diversos aplicativos para o uso do celular em sala de aula. Veja, a seguir, algumas sugestões.


Plickers

A partir desse aplicativo, o professor faz o download em seu celular e cadastra perguntas. Imprime um cartão com um QR code para cada aluno. Com esse cartão o aluno consegue responder às perguntas que o professor coloca na tela. A posição que o aluno mostra o cartão para o professor indica a resposta escolhida por ele. Todos os alunos mostram a resposta ao mesmo tempo, virando o cartão na posição escolhida para frente. O professor, com seu celular, lê instantaneamente todas as respostas (não é necessário passar em cada carteira par a leitura). Imediatamente, o aplicativo já fornece as estatísticas com as respostas certas e erradas.


Google for education

Diversas ferramentas são oferecidas gratuitamente para escolas de educação básica pelo Google for education. A escola precisa fazer um cadastro e organizar os alunos para que recebam os e-mails e as senhas. Uma das ferramentas, chamada Classroom, é espetacular. Vale a pena conferir!


Arts&Culture

Provavelmente, esse aplicativo é um dos mais comentados e utilizados por muitos, pois a sua finalidade é proporcionar visitas nos museus de qualquer parte do mundo, de forma virtual, é claro. Além disso, o aluno pode ter seu rosto comparado a uma obra famosa, o que torna o aprendizado divertido.

Kahoot!

É uma plataforma de aprendizagem baseada em jogos, feita exclusivamente para uso em sala de aula. Pode ser usada para revisar o conhecimento dos alunos ou para uma avaliação formativa.


Por que não começar a implementar um novo projeto em sua escola?


Se você gostou desse tema, compartilhe nas redes sociais e contribua para a inclusão da educação digital.



Cássio Mori é palestrante, especialista em gestão e marketing educacional, com 26 anos de experiência como professor do Ensino Médio e Cursos Pré-Vestibulares. Mantenedor de escolas e diretor da agência EMME. Formado em Engenharia Mecânica pela USP. Apaixonado por educação, gestão e marketing.

www.cassiomori.com.br


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